A disputa pelo controle e pela industrialização dos minerais críticos brasileiros entrou no debate presidencial deste domingo (18). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, questionou Flávio Bolsonaro (PL) sobre a relação com os Estados Unidos e perguntou se o adversário teria intenção de permitir que os norte-americanos ampliassem sua participação sobre os recursos minerais estratégicos brasileiros.
“O Brasil está em um momento muito rico de possibilidade de crescimento na indústria de exploração de minerais críticos e terras raras. Vocês têm pretensão de entregar isso aos EUA?”, perguntou Lula durante o debate promovido pela Band.
Flávio Bolsonaro não respondeu diretamente sobre quais condições adotaria para investimentos estrangeiros em terras raras e outros minerais críticos. Em sua resposta, afirmou que suas viagens aos Estados Unidos tiveram o objetivo de defender empresas e produtos brasileiros e rejeitou as acusações feitas pelo adversário sobre sua atuação junto ao governo norte-americano.
A discussão seguiu para outros temas da relação entre Brasil e Estados Unidos e para questões de segurança pública.
Terras raras ganham peso na disputa presidencial
A entrada do tema no debate ocorre em um momento em que minerais críticos e terras raras assumem importância crescente nas relações comerciais e geopolíticas.
Esses recursos são utilizados em cadeias consideradas estratégicas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e ímãs permanentes de alto desempenho.
O Ministério de Minas e Energia iniciou neste ano estudos para a construção de uma Estratégia Nacional de Terras Raras, destinada a orientar o desenvolvimento da cadeia brasileira em alinhamento com políticas industriais, ambientais, de inovação e de transição energética.
A discussão vai além da extração. Um dos principais pontos em debate no país é quanto das etapas de beneficiamento, processamento e industrialização desses minerais permanecerá no Brasil e qual será o papel do capital e da tecnologia estrangeiros nessa expansão.
Minas no centro dessa discussão
Para Minas Gerais, o confronto entre os candidatos tem impacto direto. O estado concentra projetos de minerais críticos e vem ampliando sua presença especialmente na cadeia das terras raras.
Em maio, a Viridis inaugurou em Poços de Caldas, no Sul de Minas, um Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras ligado ao Projeto Colossus. Segundo o Governo de Minas, aproximadamente R$ 200 milhões já haviam sido investidos no empreendimento, que inclui uma planta demonstrativa para processamento contínuo de argilas iônicas e produção de carbonato misto de terras raras.
Outro projeto em desenvolvimento em Poços de Caldas é o Morro de Ferro, adquirido pela Power Minerals Brasil, voltado também à cadeia de terras raras.
A própria Assembleia Legislativa de Minas Gerais discute uma proposta para estabelecer diretrizes estaduais para exploração, agregação de valor e governança das terras raras e minerais críticos. O Projeto de Lei 5.492/2026 reconhece esses recursos como estratégicos para o desenvolvimento econômico e tecnológico do estado e prevê estímulos ao beneficiamento local e às cadeias produtivas associadas. A proposta ainda tramita na Casa.
O Governo de Minas também tem defendido maior participação do estado na cadeia global desses minerais e discutido diretamente a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no segmento. Em evento promovido pela Amcham, representantes estaduais abordaram segurança jurídica, licenciamento e atração de investimentos para minerais críticos e terras raras.





