Minas Gerais recebeu R$ 196,47 milhões em royalties da mineração distribuídos pela Agência Nacional de Mineração (ANM) em 15 de outubro. O valor corresponde à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) arrecadada em setembro e coloca o estado na liderança nacional dos repasses.

Desse total, R$ 39,39 milhões foram destinados ao governo estadual e R$ 157,08 milhões a 422 municípios produtores de minerais, conforme levantamento divulgado pelo Diário do Comércio na sexta-feira (16).

Entre as cidades mineiras, Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, recebeu o maior valor: R$ 16,22 milhões. O município superou Mariana, Conceição do Mato Dentro, Itabira e Congonhas, cidades tradicionalmente associadas à produção de minério de ferro.

O resultado chama atenção, mas exige uma distinção importante: liderar a distribuição mensal de royalties não significa, necessariamente, ser o município que mais extrai minério em toneladas.

Por que Nova Lima aparece na liderança?

Nova Lima reúne atividades minerárias de diferentes perfis, incluindo operações ligadas ao minério de ferro e ao ouro. Entre as empresas com presença operacional no município estão a Vale e a AngloGold Ashanti.

Essa diversidade é relevante porque o valor da CFEM não depende apenas do volume físico extraído. O cálculo também considera o valor econômico da produção comercializada e as alíquotas aplicáveis a cada substância mineral.

O minério de ferro, por exemplo, está sujeito à alíquota de 3,5%, enquanto o ouro tem alíquota de 1,5%, conforme as regras gerais da compensação.

Isso significa que a quantidade de toneladas produzidas, isoladamente, não determina quanto um município receberá.

Os preços de comercialização, a composição da produção mineral, o calendário de recolhimento e os critérios de distribuição também precisam ser considerados.

No caso de Nova Lima, a presença de operações de ferro e ouro ajuda a contextualizar sua importância no setor mineral. Entretanto, os dados públicos consultados para esta reportagem ainda não permitem identificar quanto dos R$ 16,22 milhões recebidos em outubro corresponde a cada substância ou empresa.

Sem esse detalhamento, não é possível afirmar que a liderança tenha sido provocada especificamente pela valorização do ouro, pelo aumento da produção de ferro ou pelo desempenho de determinada mineradora.

Mariana, Conceição do Mato Dentro e Itabira aparecem na sequência

O ranking de outubro reúne municípios com diferentes perfis de produção mineral.

Mariana recebeu R$ 14,94 milhões e ficou na segunda posição entre as cidades mineiras. Conceição do Mato Dentro aparece em terceiro, com R$ 14,05 milhões.

Itabira, município historicamente ligado à mineração de ferro da Vale, recebeu R$ 11,88 milhões. Congonhas completa os cinco primeiros colocados, com R$ 11,29 milhões.

A diferença entre Nova Lima e Mariana foi de aproximadamente R$ 1,28 milhão. Em relação a Itabira, Nova Lima recebeu R$ 4,34 milhões a mais.

O resultado mostra a distribuição dos recursos naquele repasse específico. Para identificar uma mudança mais duradoura na posição dos municípios, seria necessário comparar a série mensal e o acumulado de 2026.

Ranking dos repasses de CFEM em Minas Gerais

Referência outubro 2026
Diário do Comércio

Como funciona a distribuição dos royalties

A CFEM é uma compensação financeira devida pela exploração econômica de recursos minerais. Segundo a ANM, a distribuição geral da arrecadação segue percentuais definidos em lei: 60% são destinados aos municípios produtores, 15% aos estados produtores, 15% aos municípios afetados pela atividade mineral e 10% à União.

A agência também destaca que arrecadação e distribuição são etapas diferentes.

Primeiro, as empresas recolhem os valores devidos. Posteriormente, a ANM distribui os recursos aos entes beneficiários, conforme as regras aplicáveis.

Por isso, o valor recebido por uma prefeitura em determinado mês não deve ser interpretado automaticamente como o reflexo exato da produção mineral realizada naquele mesmo período.

A diferença é especialmente importante quando se comparam municípios com operações de diferentes substâncias minerais e estruturas de produção distintas.

O que os royalties representam para os municípios

Os repasses da CFEM representam uma fonte de receita para municípios que convivem com a atividade minerária.

Os recursos, entretanto, não são de utilização irrestrita. A legislação estabelece condições para sua aplicação e limita o pagamento de dívidas e despesas permanentes com pessoal, ressalvadas as exceções legais.

A ANM também orienta a destinação preferencial de pelo menos 20% dos recursos a iniciativas relacionadas à diversificação econômica, ao desenvolvimento mineral sustentável e à pesquisa científica e tecnológica.

A diversificação tem importância particular para cidades cuja arrecadação depende significativamente da mineração.

Quando uma operação reduz sua atividade ou interrompe a produção, os efeitos podem alcançar não apenas os empregos diretos e os fornecedores, mas também as receitas municipais.

Paralisações de mineradoras podem afetar repasses futuros?

A recente pressão dos custos logísticos sobre empresas de minério de ferro acrescenta outra questão ao acompanhamento da CFEM em Minas Gerais.

O aumento do frete marítimo e os ajustes de produção anunciados por mineradoras podem alterar a dinâmica econômica de determinadas operações.

Em tese, uma redução na produção comercializada ou no valor das vendas pode afetar a arrecadação futura de royalties. A intensidade e o momento desse efeito, porém, dependem das características de cada empreendimento e do calendário de recolhimento.

Os valores distribuídos em outubro, referentes à arrecadação de setembro, não permitem atribuir variações municipais diretamente às paralisações recentes.

Para avaliar esse impacto, será necessário acompanhar os próximos repasses e confrontá-los com dados de produção, comercialização e recolhimento das empresas.

Minas lidera distribuição nacional

Em todo o Brasil, a ANM anunciou a distribuição de mais de R$ 465 milhões em royalties da mineração aos estados e municípios produtores.

Do total, mais de R$ 93 milhões foram destinados aos estados e ao Distrito Federal, enquanto mais de R$ 372 milhões seguiram para os municípios.

Minas Gerais ficou à frente das demais unidades da federação em recursos recebidos.

A distribuição de outubro também foi a segunda realizada com a ferramenta da nova Plataforma de Gestão de Recursos Minerais (PGRM), implantada pela ANM para modernizar os procedimentos de arrecadação e distribuição.