A mineradora australiana Power Minerals identificou uma concentração de 40,5% de óxidos totais de terras raras (TREO) em uma amostra retirada do Projeto Morro do Ferro, em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. O resultado é o maior teor individual registrado até agora pela companhia no empreendimento e reforça o interesse geológico pela região, que concentra projetos de minerais estratégicos.

O resultado foi obtido em uma amostra de 1,2 metro, localizada a 42 metros de profundidade, no furo de sondagem MFSR-057. Os dados foram comunicados à Bolsa de Valores da Austrália (ASX) em 19 de outubro.

A mesma sondagem identificou um intervalo contínuo de 111 metros, a partir da superfície, com teor médio de 8,25% de óxidos totais de terras raras. Dentro desse trecho, foram encontrados 51 metros com concentração média de 15,42%, incluindo um intervalo de 15 metros com teor médio de 20,42%.

Os resultados ampliam as informações disponíveis sobre a distribuição dos minerais no depósito e serão utilizados na elaboração da primeira estimativa formal de recursos minerais do projeto.

A concentração de 40,5%, entretanto, corresponde a uma amostra isolada e não representa o teor médio da jazida. O empreendimento ainda está em fase de pesquisa, sem reservas minerais economicamente comprovadas ou decisão de implantação de uma mina.

Novas sondagens identificam mineralização a 240 metros

Além dos resultados divulgados no início da semana, a Power Minerals apresentou, na quinta-feira (22), novas informações do furo MFSR-054. A sondagem identificou diferentes intervalos mineralizados, incluindo 88 metros com teor médio de 6,33% de óxidos totais de terras raras a partir da superfície.

Em profundidade, foram registrados 93 metros com teor médio de 1,06%, a partir de 88 metros, além de um intervalo de 19,8 metros com média de 1,38%, iniciado a 222,2 metros.

Dentro desse último trecho, uma amostra de dois metros, a partir de 240 metros de profundidade, apresentou concentração de 6,88% de TREO.

Segundo a companhia, os resultados sugerem que a mineralização se estende a profundidades maiores do que aquelas consideradas em parte dos modelos exploratórios anteriores.

A empresa também investiga a possibilidade de que determinadas zonas mineralizadas estejam associadas a estruturas geológicas que favoreceram a circulação de fluidos ricos em elementos de terras raras. Essa interpretação ainda precisa ser confirmada por novas sondagens e estudos geológicos.

Os dados mais recentes poderão contribuir para a definição da geometria do depósito, uma etapa necessária para calcular a quantidade e a distribuição dos recursos minerais.

O que significa encontrar 40,5% de terras raras?

O resultado chama a atenção porque representa uma concentração elevada de óxidos de terras raras em uma amostra de sondagem. Esses elementos são utilizados na fabricação de equipamentos eletrônicos, motores elétricos, turbinas eólicas e tecnologias industriais avançadas.

Entre os mais valorizados estão o neodímio, o praseodímio, o disprósio e o térbio, empregados na produção de ímãs permanentes de alto desempenho.

No caso do Morro do Ferro, a amostra com 40,5% de óxidos totais de terras raras apresentou também 7,73% de óxidos de terras raras magnéticas (MREO).

A distinção é relevante porque nem todos os elementos classificados como terras raras possuem o mesmo valor comercial ou as mesmas aplicações industriais.

A viabilidade de um empreendimento depende não apenas da concentração total desses elementos, mas também da composição mineralógica, da capacidade de recuperação durante o processamento e dos custos necessários para produzir materiais comercializáveis.

Além disso, os teores encontrados em uma sondagem precisam ser analisados em conjunto com outros furos para determinar a continuidade e a distribuição espacial da mineralização.

A Power Minerals informou que cinco amostras individuais do furo MFSR-057 apresentaram concentrações superiores a 20% de TREO. O resultado anterior mais elevado havia sido de 24,13%, identificado em uma amostra de dois metros do furo MFSR-044.

A companhia considera que os novos dados reforçam o potencial geológico do projeto, mas ainda precisa demonstrar sua dimensão e viabilidade econômica.

Projeto foi adquirido em 2026 e ainda está em fase de pesquisa

A Power Minerals adquiriu o Projeto Morro do Ferro em abril de 2026, em uma operação divulgada pela imprensa brasileira como avaliada em aproximadamente R$ 80 milhões.

Desde então, a empresa vem realizando sondagens para aprofundar o conhecimento sobre a ocorrência de terras raras e verificar a continuidade da mineralização em diferentes profundidades.

Os trabalhos incluem análises laboratoriais, estudos geológicos e avaliações metalúrgicas destinadas a compreender como os elementos poderão ser recuperados do material mineralizado.

O diretor-presidente da Power Minerals, Alistair Stephens, afirmou, no comunicado de 19 de outubro, que os resultados contribuem para compreender a continuidade da mineralização entre diferentes seções de sondagem e para preparar a primeira estimativa de recursos minerais.

A empresa também informou que pretende avançar nos testes metalúrgicos, com atenção especial à recuperação dos elementos utilizados na fabricação de ímãs permanentes. Essa etapa será decisiva para avaliar o potencial econômico do empreendimento.

Mesmo depósitos com concentrações elevadas podem apresentar dificuldades de processamento, dependendo das características dos minerais e das tecnologias necessárias para separar os elementos de interesse.

Por enquanto, a Power Minerals não anunciou uma data para o início da produção comercial no Morro do Ferro.

Poços de Caldas ganha relevância na corrida por minerais estratégicos

O avanço das pesquisas no Morro do Ferro ocorre em um momento de crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras de terras raras. Minas Gerais concentra diferentes projetos em desenvolvimento, especialmente nas regiões de Poços de Caldas, Araxá e Alto Paranaíba.

A demanda por esses minerais está associada à expansão de tecnologias de eletrificação, geração de energia renovável e fabricação de equipamentos industriais de maior eficiência.

O Brasil possui potencial geológico relevante, mas ainda enfrenta desafios para transformar seus recursos minerais em uma cadeia produtiva que inclua separação, refino e fabricação de produtos de maior valor agregado.

Nesse contexto, a identificação de novas zonas mineralizadas no Morro do Ferro amplia as informações disponíveis sobre o potencial do Sul de Minas.

Entretanto, a transformação desse potencial em produção comercial dependerá da conclusão dos estudos de recursos minerais, dos testes metalúrgicos, do licenciamento ambiental e da avaliação de viabilidade econômica.