A retomada das operações da mina de Turmalina, em Minas Gerais, contribuiu para elevar em 30% a produção de ouro da Jaguar Mining no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A companhia produziu 12.981 onças de ouro entre julho e setembro, ante 10.002 onças um ano antes, segundo dados divulgados pela empresa em 15 de outubro.

Localizada no complexo MTL, em Minas Gerais, Turmalina respondeu por 4.432 onças no trimestre, aproximadamente 34% da produção consolidada da mineradora. A operação havia sido interrompida após um incidente na pilha de disposição de estéril e rejeitos Satinoco, em dezembro de 2024, e voltou a produzir em março deste ano.

Apesar da retomada, a estrutura permanece parcialmente interditada. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), em setembro de 2026 foi liberada uma área da face leste da pilha, após avaliações técnicas. As demais áreas continuam interditadas, pois ainda não houve comprovação das condições de estabilidade necessárias para a desinterdição.

O desempenho foi desigual entre as operações da companhia. Enquanto Turmalina contribuiu para o crescimento da produção, a mina Pilar registrou queda de aproximadamente 14,5% na comparação anual, com 8.549 onças produzidas no terceiro trimestre.

Retomada após o rompimento da pilha Satinoco

O incidente de dezembro de 2024 envolveu a pilha Satinoco, na mina de Turmalina, em Conceição do Pará, no Centro-Oeste mineiro. Na ocasião, o deslocamento de material atingiu instalações da empresa e áreas próximas, levando à retirada de moradores de comunidades vizinhas.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em dezembro de 2024, 69 imóveis foram interditados e 134 pessoas foram retiradas da comunidade de Casquilho. O órgão também obteve medidas judiciais emergenciais que suspenderam atividades e estruturas da unidade até a apresentação de avaliações técnicas sobre as condições de estabilidade e segurança.

Em dezembro de 2025, a Jaguar informou ter concluído trabalhos de remediação e enviado documentos técnicos à ANM. Naquele momento, a companhia ainda aguardava autorização para retomar as operações. Em 9 de março de 2026, a empresa anunciou a liberação para reiniciar as atividades no complexo MTL, incluindo a mina e a planta de processamento.

A retomada, no entanto, ocorreu de forma gradual e restrita às áreas que apresentaram condições adequadas de segurança. Em resposta ao Minera Minas, a ANM informou que a empresa precisou apresentar estudos e informações técnicas sobre a estabilidade das estruturas, além de comprovar a adoção de medidas corretivas e de monitoramento.

A agência esclareceu ao Minera Minas que parte das medidas determinadas após o incidente foi implementada, permitindo a liberação parcial de áreas específicas. Entretanto, permanecem exigências em acompanhamento e ações de estabilização ainda em execução.

“A PDER Satinoco segue parcialmente interditada, permanecendo restrições em áreas para as quais ainda não houve comprovação das condições de estabilidade”, informou a ANM.

A situação também foi verificada em vistoria realizada pela agência em março de 2026. Na ocasião, os técnicos constataram que a estrutura permanecia em processo de estabilização após o movimento de massa ocorrido em dezembro de 2024. Segundo a ANM, estavam em execução obras de reconformação de taludes, drenagem, revegetação e monitoramento geotécnico.

O monitoramento da pilha é realizado pela própria empresa, por meio de sistemas e instrumentos de acompanhamento geotécnico. Cabe à ANM fiscalizar e avaliar as informações apresentadas, realizar vistorias e emitir exigências quando necessário, além de acompanhar as condições de segurança da estrutura.

A agência informou ao Minera Minas que as condições relacionadas à mina de Turmalina permanecem as anteriormente estabelecidas, sem alteração nas restrições vigentes. Assim, a retomada da produção não significa que todas as medidas determinadas após o incidente tenham sido concluídas.

No terceiro trimestre, Turmalina processou 51.144 toneladas de minério, com teor médio de alimentação de 4 gramas de ouro por tonelada e recuperação metalúrgica de 67%, segundo os dados divulgados pela Jaguar.

Desempenho diferente entre as minas

Em Pilar, a produção caiu mesmo com o aumento do volume de minério processado. De acordo com a Jaguar, a unidade processou 108.255 toneladas no terceiro trimestre, alta de aproximadamente 14% em relação ao mesmo período de 2025. O teor médio do minério, entretanto, recuou de 3,68 para 2,76 gramas de ouro por tonelada.

A empresa atribuiu a redução da produção a fatores como a maior participação de minério proveniente do desenvolvimento da mina, mudanças na sequência de lavra e variações nos teores. A companhia afirmou ter reforçado os controles de teor e antecipado a abertura de novas frentes de lavra para enfrentar essas condições.

A alta de 30% na produção consolidada da Jaguar não deve ser atribuída exclusivamente à retomada de Turmalina. Embora a mina tenha contribuído para o resultado, a companhia reúne mais de uma operação, com desempenhos distintos no período. A própria ANM chamou a atenção para a necessidade de diferenciar os números consolidados da empresa daqueles referentes especificamente à mina de Turmalina.

A contribuição da operação mineira foi relevante para compensar o recuo registrado em Pilar, mas a sustentabilidade do crescimento dependerá da evolução das duas minas nos próximos trimestres e do cumprimento das exigências de segurança ainda vigentes.

Jaguar mantém meta de até 60 mil onças em 2026

A Jaguar manteve a projeção de produzir entre 50 mil e 60 mil onças de ouro em 2026. Nos nove primeiros meses do ano, a companhia acumulou 35.667 onças, alta de aproximadamente 15% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando produziu 30.899 onças.

Para atingir o limite inferior da projeção anual, a mineradora precisará produzir cerca de 14.333 onças no quarto trimestre. Para alcançar o teto da faixa, serão necessárias aproximadamente 24.333 onças no mesmo período.

A empresa afirmou esperar que Turmalina alcance sua capacidade plena até o fim do ano. A ANM, porém, não confirmou que esse aumento dependa de uma autorização específica adicional nem esclareceu se a previsão de produção se refere à retomada dos níveis anteriores ao incidente. A agência destacou que as restrições operacionais em áreas da pilha Satinoco continuam vigentes.

A evolução da produção nos próximos meses será importante para avaliar o ritmo de recuperação da operação, o cumprimento da meta anual e a compatibilidade entre o avanço produtivo e as medidas de segurança ainda em execução.

Além da retomada operacional, a companhia informou ter realizado 11.394 metros de sondagem no terceiro trimestre, quase o dobro dos 5.774 metros registrados no mesmo período do ano passado. Os trabalhos foram distribuídos entre Turmalina e Pilar.