A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) realizará nesta quinta-feira (22) o primeiro leilão de gás natural da União destinado diretamente a consumidores industriais. Ao todo, 36 empresas foram habilitadas para disputar 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, em uma operação que pretende ampliar a concorrência no mercado brasileiro e criar condições para reduzir os custos de energia da indústria.

Para os setores de siderurgia, metalurgia e mineração, serão reservados inicialmente 320 mil metros cúbicos diários, distribuídos em 32 lotes. A oferta representa aproximadamente 29% do volume total disponível no certame.

O leilão será realizado a partir das 9h, em formato eletrônico, pela plataforma da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A etapa destinada aos três setores está prevista para começar às 10h40.

O fornecimento ocorrerá entre março e dezembro de 2027. Esta será a primeira vez que a PPSA comercializará diretamente com consumidores industriais o gás natural processado pertencente à União, produzido em campos do pré-sal sob o regime de partilha de produção.

O que muda para a mineração e a siderurgia em Minas?

A iniciativa pode representar uma nova alternativa de contratação de gás natural para grandes consumidores industriais de Minas Gerais, estado que concentra importantes operações de mineração, siderurgia e metalurgia.

O gás natural é utilizado em diferentes processos industriais, especialmente na geração de calor, em fornos, no tratamento térmico de materiais e em determinadas etapas de beneficiamento e transformação mineral. Seu custo influencia a competitividade de empresas que dependem de energia térmica em suas operações.

Com a possibilidade de aquisição direta do gás da União, empresas habilitadas poderão disputar volumes sem depender exclusivamente das modalidades tradicionais de contratação do combustível.

A mudança, entretanto, não significa redução automática de preços. O gás será disponibilizado na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, localizada no Complexo de Energias Boaventura, da Petrobras, no Rio de Janeiro. A partir desse ponto, os compradores terão de contratar o transporte até suas unidades consumidoras, diretamente ou por meio de comercializadoras autorizadas.

Para indústrias instaladas em Minas Gerais, portanto, a viabilidade econômica dependerá não apenas do preço obtido no leilão, mas também dos custos de transporte, distribuição, tributos e das condições de acesso à infraestrutura de gasodutos.

PPSA estima gás até US$ 4 mais barato por milhão de BTU

A expectativa de redução dos custos foi apresentada pelo diretor-presidente da PPSA, Luís Fernando Paroli, em entrevista à CNN Brasil. Segundo o executivo, o gás comercializado no leilão poderá chegar aos consumidores industriais por aproximadamente US$ 9 a US$ 10 por milhão de BTU, considerando transporte, distribuição e tributos.

A estimativa indica uma possível economia de US$ 3 a US$ 4 por milhão de BTU em comparação com preços atualmente pagos por determinadas indústrias brasileiras.

O valor, porém, ainda não está garantido. O preço efetivo dependerá da concorrência entre os participantes e das condições de entrega para cada consumidor.

Pelas regras do edital, o preço do gás será calculado mensalmente a partir de 115% da cotação média do Henry Hub, referência norte-americana para o gás natural, acrescida de um prêmio definido na disputa.

As empresas apresentarão propostas com os volumes desejados e os valores adicionais que estão dispostas a pagar. Os maiores prêmios determinarão os vencedores, respeitadas as regras e os limites de cada etapa.

Como será dividido o gás entre os setores

O leilão contará com 110 lotes de 10 mil metros cúbicos por dia, distribuídos inicialmente entre cinco grupos industriais.

Como será dividido o gás entre os setores
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Cada participante poderá disputar inicialmente até 16 lotes, respeitando sua capacidade de consumo declarada. Caso sobrem volumes após as etapas setoriais, haverá uma rodada adicional aberta às empresas habilitadas.

O edital também prevê obrigações contratuais relevantes para os compradores, incluindo pagamento mínimo por parte do volume contratado mesmo quando não houver retirada integral do combustível.

Essas condições poderão influenciar a atratividade do gás para empresas que apresentam variações significativas de consumo ao longo do ano.

Competitividade depende de infraestrutura e contratos

A ampliação da oferta de gás natural é considerada uma das alternativas para melhorar a competitividade da indústria brasileira, especialmente em segmentos que utilizam grandes volumes de energia.

Para Minas Gerais, o resultado do leilão poderá indicar se a comercialização direta do gás da União representa uma oportunidade efetiva para as empresas do estado.

Além do preço da molécula, fatores como capacidade disponível nos gasodutos, tarifas de transporte, contratos de distribuição e previsibilidade de fornecimento terão peso na decisão dos consumidores.

Outro desafio é o prazo contratual. Nesta primeira edição, o fornecimento está previsto por dez meses, entre março e dezembro de 2027, o que pode exigir contratações complementares das indústrias que necessitam de abastecimento contínuo.

A PPSA já sinalizou a intenção de realizar novos leilões para fornecimento em 2028 e 2029. A perspectiva é de que as próximas operações contemplem períodos completos de 12 meses.

O resultado da disputa desta quinta-feira deverá oferecer os primeiros indicadores concretos sobre a competitividade dessa modalidade de comercialização.

Para mineradoras, siderúrgicas e fornecedores industriais de Minas Gerais, a questão central será verificar se o preço obtido na origem, somado aos custos necessários para levar o combustível até as plantas, representará uma alternativa economicamente vantajosa aos contratos atualmente disponíveis.