A Vale, a Samarco e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) estão entre as vencedoras do primeiro leilão de gás natural da União, realizado nesta quinta-feira (22). Ao lado da Gerdau Aços Longos e da Ternium Brasil, as empresas arremataram os 32 lotes destinados aos setores de siderurgia, metalurgia e mineração, equivalentes a 320 mil metros cúbicos de gás por dia.

O resultado representa um avanço na estratégia do governo federal de ampliar a concorrência no mercado de gás natural e oferecer novas alternativas de contratação para grandes consumidores industriais.

Ao todo, o leilão promovido pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) comercializou 1,1 milhão de metros cúbicos diários, distribuídos em 110 lotes. A operação contou com 36 empresas habilitadas, das quais 32 participaram da disputa e 23 adquiriram volumes do combustível.

Segundo a PPSA, o preço médio estimado da molécula comercializada ficou em US$ 5,83 por milhão de BTU, abaixo das referências de comercialização utilizadas pela estatal na comparação com contratos atrelados ao petróleo Brent.

O valor, entretanto, não corresponde ao preço final que será pago pelas indústrias. As empresas ainda terão de arcar com custos de transporte, distribuição e tributos, que poderão variar conforme a localização das unidades consumidoras.

Mineração e siderurgia garantem todo o volume reservado ao setor

A etapa destinada aos setores siderúrgico, metalúrgico e de mineração foi a terceira do leilão e teve todos os seus lotes comercializados.

As cinco empresas vencedoras foram:

  • Vale;

  • Samarco Mineração;

  • Companhia Siderúrgica Nacional (CSN);

  • Gerdau Aços Longos;

  • Ternium Brasil.

O volume de 320 mil metros cúbicos diários representou aproximadamente 29% de todo o gás disponibilizado no certame, constituindo a segunda maior parcela reservada a um grupo industrial.

A disputa registrou um prêmio de US$ 2,30 por milhão de BTU, superior ao valor inicial de US$ 1,80 estabelecido no edital.

Esse prêmio é uma das parcelas utilizadas para calcular o preço mensal do combustível. A fórmula também considera 115% da cotação média do Henry Hub, referência do mercado norte-americano de gás natural.

Embora os nomes das vencedoras tenham sido divulgados, os resultados públicos consultados não permitem identificar quanto cada companhia adquiriu individualmente nem quais unidades industriais serão abastecidas.

Essa informação é especialmente relevante para Minas Gerais, onde Vale, Samarco, CSN e Gerdau possuem operações importantes na cadeia mineral e siderúrgica.

O que o resultado pode representar para Minas Gerais?

A participação de grandes companhias com operações mineiras coloca Minas Gerais entre os estados potencialmente beneficiados pela nova modalidade de comercialização.

A Vale mantém operações de mineração de ferro em diferentes regiões do estado. A Samarco atua na produção e no beneficiamento de minério de ferro, com operações em Mariana e Ouro Preto, enquanto a CSN e a Gerdau possuem atividades ligadas à mineração e à siderurgia.

O gás natural é utilizado em processos industriais que demandam energia térmica, incluindo aquecimento, tratamento de materiais e determinadas etapas da transformação mineral.

Na siderurgia, o combustível também pode ser empregado em fornos e outras instalações industriais, dependendo da tecnologia utilizada.

A possibilidade de contratar gás diretamente da União pode ampliar as alternativas comerciais dessas empresas, especialmente em um mercado no qual o custo da energia influencia a competitividade da produção.

Ainda não é possível afirmar, porém, que o combustível adquirido no leilão será destinado às unidades de Minas Gerais.

As companhias vencedoras possuem operações em diferentes estados, e a PPSA não detalhou os locais de consumo vinculados aos contratos.

Além disso, a economia efetiva dependerá das condições comerciais atualmente praticadas por cada empresa e dos custos necessários para transportar o gás até suas instalações.

Preço médio estimado ficou em US$ 5,83 por milhão de BTU

O primeiro leilão da União registrou prêmio médio de US$ 2,44 por milhão de BTU, o que representou um ágio de 35% em relação ao prêmio inicial.

Considerando a referência utilizada pela PPSA, o preço médio estimado da molécula ficou em US$ 5,83 por milhão de BTU.

A estatal comparou o resultado aos valores praticados em contratos de gás natural indexados ao petróleo Brent, frequentemente calculados como um percentual da cotação internacional do barril.

De acordo com a PPSA, a referência de mercado utilizada na comparação varia entre 10% e 12% do preço do Brent.

Essa diferença sugere potencial de competitividade para o gás comercializado pela União, mas não permite calcular diretamente a economia das empresas vencedoras.

O preço efetivo dos contratos será atualizado mensalmente, conforme a variação do Henry Hub e as regras cambiais estabelecidas no edital.

Além disso, o custo final dependerá da contratação dos serviços necessários para levar o combustível às plantas industriais.

Por essa razão, o resultado do leilão indica uma oportunidade de redução de custos, mas não garante que todas as empresas pagarão menos pelo gás entregue em suas unidades.

Transporte será decisivo para a competitividade do gás

O combustível adquirido será disponibilizado na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, localizada no Complexo de Energias Boaventura, da Petrobras, no Rio de Janeiro.

A partir desse ponto, caberá aos compradores contratar o transporte até suas instalações, diretamente ou por meio de comercializadoras habilitadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Para consumidores industriais de Minas Gerais, a distância entre o ponto de entrega e as unidades produtivas torna a infraestrutura de transporte um componente importante do custo final.

Também será necessário considerar as tarifas de distribuição, as condições de acesso às redes e os contratos existentes.

O desafio é particularmente relevante para atividades industriais que precisam de fornecimento contínuo e previsível, como determinadas operações siderúrgicas e de transformação mineral.

Assim, o preço competitivo obtido na origem poderá ter efeitos diferentes para empresas localizadas em regiões distintas do país.

O gás comercializado será fornecido entre março e dezembro de 2027. Segundo a PPSA, a próxima etapa será a assinatura dos contratos com as empresas vencedoras, prevista para a primeira quinzena de dezembro de 2026. A operação deverá gerar faturamento estimado de R$ 377 milhões para a estatal.