A australiana Power Minerals definiu o primeiro alvo de exploração do Projeto Morro do Ferro, em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, estimando entre 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas de material mineralizado, com teores entre 7,8% e 9,2% de óxidos totais de terras raras (TREO).
O levantamento também aponta entre 1,3% e 1,6% de óxidos de terras raras magnéticas (MREO), grupo que inclui elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alta performance empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos industriais e tecnologias de defesa.
Os números, no entanto, ainda não representam uma estimativa formal de recurso mineral nem uma reserva de minério. A própria companhia classifica o resultado como um Exploration Target, ou alvo de exploração: uma projeção conceitual utilizada para orientar novas sondagens antes que haja evidência geológica suficiente para calcular um recurso mineral segundo padrões internacionais.
Mais da metade do alvo já tem suporte de sondagem
Do volume total estimado, entre 5,2 milhões e 6,4 milhões de toneladas são sustentados diretamente pelos dados de perfuração disponíveis até agora. Essa parcela corresponde a aproximadamente 57% a 59% do alvo.
Outros 3,9 milhões a 4,4 milhões de toneladas correspondem a uma projeção conceitual em áreas ainda não perfuradas, principalmente na extensão sul do depósito. Segundo a empresa, essa projeção considera uma continuidade máxima de cerca de 200 metros além das áreas atualmente investigadas.
O modelo utilizado pela Power Minerals reúne informações de 169 furos históricos e atuais, 3.241 análises químicas e aproximadamente 5.696 metros de dados de perfuração, além de levantamentos geofísicos e topográficos.
Nove furos de sondagem diamantada mais recentes, que somam aproximadamente 1.158 metros, ainda aguardavam resultados laboratoriais e não foram incorporados ao cálculo divulgado agora.
Empresa busca primeira estimativa formal de recursos
A Power Minerals mantém duas sondas em operação no Morro do Ferro para investigar a continuidade da mineralização tanto lateralmente quanto em profundidade. O objetivo é reunir dados suficientes para elaborar a primeira estimativa formal de recursos minerais do empreendimento.
A companhia trabalha com a possibilidade de apresentar essa estimativa entre o quarto trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027. Até que essa etapa seja concluída, os volumes atualmente apresentados devem ser considerados apenas como potencial geológico.
Resultados anteriores de sondagem já haviam indicado intervalos de mineralização com teores elevados no projeto. Entre os dados divulgados pela companhia estão 60,85 metros com 8,92% de TREO desde a superfície e 70,9 metros com 8% de TREO, além de intervalos menores com concentrações superiores.
Projeto é considerado prioritário pelo Governo de Minas
O avanço geológico ocorre semanas depois de o Morro do Ferro receber tratamento de projeto prioritário do Governo de Minas Gerais.
O enquadramento direciona um eventual processo de licenciamento ambiental para análise especializada pela Superintendência de Projetos Prioritários (Suppri), vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, enquanto a Fundação Estadual do Meio Ambiente ficará responsável pela avaliação técnica dos estudos.
A classificação como prioritário, entretanto, não equivale à concessão de licença ambiental, tampouco autoriza instalação ou operação da mina. O projeto ainda precisará cumprir as etapas previstas na legislação ambiental e apresentar os estudos exigidos quando avançar para o licenciamento.
O Governo de Minas acompanha o Morro do Ferro desde a aquisição do ativo pela Power Minerals, concluída em abril deste ano. À época, o Estado destacou o empreendimento dentro da estratégia de ampliar a participação mineira na cadeia de minerais críticos.
Terras raras ampliam corrida por novos projetos em Minas
O Morro do Ferro está inserido no Complexo Alcalino de Poços de Caldas, região que vem atraindo investimentos relacionados à pesquisa e ao desenvolvimento de projetos de terras raras.
A corrida por esses minerais ganhou força diante da tentativa de países e empresas de diversificar uma cadeia produtiva hoje fortemente concentrada na China. Elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio têm papel especialmente relevante na produção de ímãs permanentes utilizados em tecnologias de alta intensidade energética e industrial.





