A situação da estrutura de disposição de rejeitos da Mina Turmalina, da Jaguar Mining, em Conceição do Pará, no Centro-Oeste de Minas Gerais, voltou a levantar questionamentos sobre os impactos ambientais da operação. Informações sobre a presença de rejeitos em uma área de drenagem do município foram contestadas pela mineradora, que nega qualquer lançamento ou extravasamento de material para o Rio Pará.
Em nota enviada ao Minera Minas, a Jaguar Mining afirmou que “não houve lançamento ou extravasamento de rejeitos para o Rio Pará na operação da Mineração Turmalina, em Conceição do Pará”. A empresa acrescentou que mantém monitoramento contínuo dos cursos d'água do entorno, acompanhado pelos órgãos competentes.
A Agência Nacional de Mineração (ANM), por sua vez, informou que a Pilha de Disposição de Estéril e Rejeitos (PDER) Satinoco permanece parcialmente interditada. Segundo a agência, embora parte das medidas determinadas após o acidente ocorrido em dezembro de 2024 tenha sido implementada, ainda existem exigências técnicas em acompanhamento e ações de estabilização em execução.
A ANM esclareceu que a retomada das atividades da mina ocorreu de forma gradual e restrita às áreas que apresentaram condições adequadas de segurança. Em setembro de 2026, após avaliações técnicas, a agência autorizou a liberação de uma área da face leste da pilha. As demais áreas continuam interditadas.
Estrutura ainda passa por estabilização
O acidente na estrutura Satinoco ocorreu em dezembro de 2024, quando houve um movimento de massa que atingiu instalações da empresa e áreas próximas. O episódio levou à interrupção das atividades e à adoção de medidas de segurança e recuperação.
Em vistoria realizada em março de 2026, a ANM constatou que a estrutura ainda estava em processo de estabilização. Na ocasião, foram identificadas obras de reconformação de taludes, implantação de drenagem, revegetação e monitoramento geotécnico.
A agência informou que parte das medidas determinadas após o incidente já foi implementada, permitindo a desinterdição de áreas específicas. Entretanto, a PDER Satinoco continua sujeita a restrições nos locais em que ainda não houve comprovação das condições de estabilidade.
“Permanecem em andamento ações de estabilização e manutenção da estrutura, além do atendimento a exigências técnicas formuladas pela ANM”, informou a agência.
O monitoramento geotécnico é realizado pela própria empresa, por meio de sistemas e instrumentos instalados na estrutura. À ANM cabe fiscalizar, avaliar as informações apresentadas, realizar vistorias e emitir novas exigências quando necessário.
Retomada não significa liberação integral
A retomada da produção da Mina Turmalina foi anunciada pela Jaguar em março de 2026, após a liberação de atividades no complexo. A autorização, entretanto, não representou a desinterdição integral da estrutura Satinoco.
A ANM ressaltou que as condições estabelecidas para a mina permanecem as anteriormente definidas e que a pilha continua parcialmente interditada.
A agência também fez uma ressalva sobre os números de produção divulgados pela Jaguar. O aumento de 30% informado pela companhia no terceiro trimestre de 2026 corresponde à produção consolidada da empresa, que reúne as operações de Turmalina e Pilar, e não exclusivamente à retomada da mina em Conceição do Pará.
No período, a Jaguar produziu 12.981 onças de ouro, ante 10.002 onças no terceiro trimestre de 2025. Turmalina respondeu por 4.432 onças, enquanto a operação de Pilar produziu 8.549 onças.
A ANM destacou a necessidade de diferenciar a recuperação da produção de Turmalina do resultado consolidado da mineradora, considerando também a existência de informações sobre outro empreendimento com pedido de retomada de atividades.
A agência não informou prazo para a liberação das áreas ainda interditadas. Também não confirmou se a operação em capacidade plena dependerá de novas autorizações ou do cumprimento de exigências adicionais.




