Uma chuva de aproximadamente 40 milímetros em uma hora provocou o carreamento de sedimentos da Cava RG-6, na unidade Roça Grande – CCA, da Mineração Serras do Oeste, vinculada à Jaguar Mining, para um afluente do córrego Vieira, em Minas Gerais.
A ocorrência foi registrada em 4 de outubro de 2026. Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a fiscalização estimou provisoriamente em 17 metros cúbicos o volume de material depositado no curso d’água e em seu entorno.
A vistoria foi realizada pelo Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) em 6 de outubro. Conforme a secretaria, os sedimentos percorreram aproximadamente mil metros entre a área da cava e o ponto atingido, alcançando um trecho de cerca de 100 metros do curso d’água.
A Semad informou que parte do material foi retida por cinco barreiras de contenção existentes no local. Durante a inspeção, equipes realizavam a retirada manual dos sedimentos, que eram acondicionados em sacos plásticos para posterior retorno à cava. Outras estruturas de contenção estavam em fase final de instalação.
De acordo com a fiscalização, não foram constatados rompimento ou galgamento das estruturas existentes, nem danos estruturais à estrada municipal próxima.
Até a data da vistoria, também não haviam sido identificados danos à fauna aquática, à vegetação ou aos usos humanos da água.
A avaliação sobre possíveis alterações na qualidade da água, entretanto, depende dos resultados das análises laboratoriais. A empresa realiza coletas periódicas de amostras de água superficial, em pontos definidos pela fiscalização, e deverá encaminhar os resultados ao NEA.
Mineradora é autuada por dano ambiental e atraso na comunicação
A Semad informou que lavrou auto de infração contra a empresa responsável pela operação, com enquadramento nos códigos 114 e 116 do Decreto Estadual nº 47.383/2018.
O primeiro código abrange condutas que resultem em poluição, degradação ou dano a recursos hídricos e outros bens ambientais. O segundo foi aplicado, segundo a secretaria, em razão do atraso na comunicação do acidente ambiental ao NEA.
Embora a ocorrência tenha sido registrada em 4 de outubro, às 14h31, o núcleo recebeu a comunicação apenas no dia seguinte, por volta das 15h29, por intermédio da coordenadora de Gestão Ambiental da empresa.
O intervalo entre a ocorrência e o aviso foi de aproximadamente 25 horas, ultrapassando o prazo de 24 horas considerado pela fiscalização.
O comunicado inicial de acidente ambiental, registrado sob o número 204/2026, relatava o carreamento de sedimentos do sistema de drenagem superficial e contenção da Cava RG-6 para o leito do córrego Vieira.
A vistoria posterior detalhou a extensão estimada da área atingida e as medidas de contenção e limpeza adotadas no local.
A Semad também solicitou melhorias nos sistemas de drenagem superficial e de controle de sedimentos para reduzir o risco de novas ocorrências.
Prefeitura de Caeté afirma que trecho atingido fica em Barão de Cocais
Procurada pelo Minera Minas, a Prefeitura de Caeté informou que recebeu comunicação do NEA por e-mail em 6 de outubro, mas não enviou fiscais ao local.
Segundo a administração municipal, o ponto atingido está na sub-bacia do córrego Vieira, em território de Barão de Cocais, e não houve impacto identificado em área de Caeté.
A prefeitura afirmou que não recebeu reclamações de moradores, produtores rurais ou usuários da água. Informou ainda que o município não possui captação de água na sub-bacia afetada.
Caeté também declarou não ter recebido resultados de análises ambientais nem orientações sobre eventuais restrições ao uso da água.
De acordo com a prefeitura, o município está integralmente inserido na bacia do rio São Francisco, enquanto a sub-bacia do córrego Vieira pertence à bacia do rio Doce. Por esse motivo, informou que não acompanha diretamente a recuperação do trecho atingido.
A documentação de licenciamento ambiental da unidade Roça Grande identifica atividades do empreendimento em Caeté e Barão de Cocais. A localização exata do ponto afetado, contudo, ainda depende de confirmação pela autoridade ambiental responsável pela vistoria.
A Prefeitura de Barão de Cocais também foi procurada pelo Minera Minas, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.
Resultados das análises de água ainda são aguardados
A Mineração Serras do Oeste, vinculada à Jaguar Mining, foi procurada pelo Minera Minas, mas não havia se manifestado sobre a ocorrência até a publicação.
A extensão dos possíveis efeitos ambientais permanece pendente de esclarecimento.
Os resultados das análises laboratoriais deverão indicar se houve alterações na qualidade da água e subsidiar a avaliação das condições ambientais do trecho atingido.
Até a divulgação desses dados, não é possível determinar a extensão de eventuais impactos sobre o curso d’água apenas com base nas observações realizadas durante a vistoria.
Em nota, a Jaguar informou que “os sedimentos mobilizados na área da Cava RG-6, na unidade Roça Grande, em Caeté, não atingiram o córrego Vieira.
No dia 4 de outubro, após chuvas intensas na região, água proveniente dos taludes naturais, do entorno da sua área operacional, acumulou-se temporariamente sobre a área de disposição da cava. Com isso, cerca de 3 m³ de material particulado fino, classificado como resíduo não perigoso, ultrapassaram as retenções internas da área e alcançaram a drenagem adjacente, onde foram contidos pelas barreiras de contenção adicionais instaladas a jusante. O material foi integralmente retido dentro dos limites da unidade.
A ocorrência foi comunicada ao Núcleo de Emergência Ambiental da Semad, que vistoriou a área e constatou a contenção dos sedimentos pelas barreiras existentes. Não foram identificados danos a estradas ou propriedades, nem impactos ao córrego Vieira ou a áreas externas à unidade".




