A Cedro Participações recebeu aval ambiental para executar um dos principais projetos de seu plano de expansão na mineração de ferro. O Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou nesta sexta-feira (25) as licenças para a ampliação da operação da companhia em Mariana, na Região Central de Minas Gerais.
O projeto prevê investimento de R$ 3,5 bilhões e permitirá elevar gradualmente a capacidade de beneficiamento da unidade dos atuais cerca de 2,5 milhões para 10 milhões de toneladas de minério bruto (ROM) por ano — quatro vezes o volume atual. A produção de pellet feed poderá chegar a 5,5 milhões de toneladas anuais.
A expansão tem vida útil estimada em até 20 anos, com possibilidade de extensão a partir de novas campanhas de sondagem. Segundo a Cedro, mais de mil empregos diretos e indiretos deverão ser mantidos na fase operacional.
O movimento é uma peça importante de uma estratégia maior: a companhia pretende ampliar sua escala na mineração e migrar progressivamente o portfólio para produtos de maior teor de ferro, enquanto desenvolve infraestrutura própria para levar a produção mineira ao mercado internacional.
De 2,5 milhões para 10 milhões de toneladas
A ampliação licenciada em Mariana será implantada de forma gradual e terá como principal produto o pellet feed high-grade, concentrado fino de minério de ferro com alto teor de ferro e menor presença de impurezas.
Esse tipo de matéria-prima tem ganhado importância com a busca da indústria siderúrgica por rotas de produção com menor intensidade de carbono. Minérios de maior qualidade são especialmente relevantes para a produção de pelotas destinadas a tecnologias como a redução direta.
A Cedro afirma que pretende direcionar 100% de sua produção futura para pellet feed high-grade e mira mercados como Europa e Oriente Médio.
A companhia também prevê filtragem e empilhamento a seco dos rejeitos, sem disposição em barragens, e informa reaproveitar atualmente 85% da água utilizada em seus processos.
“Este projeto combina a ampliação da nossa capacidade, a geração de mais empregos em Mariana e a adoção de tecnologias mais modernas. É um passo importante para a Cedro e para a mineração em Minas Gerais”, afirmou José Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da Cedro Participações.
Mariana é parte de plano para chegar a 20 milhões de toneladas
A expansão não é um projeto isolado. A Cedro pretende alcançar capacidade de produção de 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano até 2032, segundo a projeção mais recente apresentada pela empresa no release.
Esse crescimento vem acompanhado de investimentos em logística. A companhia desenvolve o Porto do Meio, terminal no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, destinado ao escoamento de minério de ferro.
O projeto portuário já teve diferentes projeções de capacidade divulgadas pela companhia. Em informação mais recente, a Cedro apontou capacidade inicial de 15 milhões de toneladas anuais, com possibilidade de chegar a 24 milhões no futuro. A empresa também trabalha no projeto de uma ferrovia de curta distância na região de Serra Azul, em Minas Gerais.
A estratégia busca reduzir uma limitação relevante para mineradoras de médio porte do Quadrilátero Ferrífero: a dependência de infraestrutura de terceiros para chegar ao mercado externo. Hoje, segundo informações divulgadas pela própria Cedro, cerca de 80% de sua produção é repassada à Vale, à CSN ou encaminhada ao Porto Sudeste antes de seguir para exportação.
Com a ampliação da produção e o desenvolvimento da infraestrutura logística, a empresa pretende aumentar sua participação direta na cadeia de exportação.
Licenciamento levou quase três anos
A aprovação desta sexta-feira encerra uma etapa de quase três anos de estudos para a expansão em Mariana, segundo a companhia.
O projeto passou por Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e pela análise técnica dos órgãos ambientais antes de chegar à votação do Copam.
“Foram quase três anos de trabalho, com especialistas de todas as disciplinas envolvidas, dos meios físico, biótico e socioeconômico, e uma série de estudos que convergiram para o EIA/RIMA do projeto”, afirmou Edinilson Barbosa, gerente-geral de Licenciamento Ambiental da Cedro.
Segundo ele, o estudo estabelece as medidas de controle, mitigação e compensação que deverão acompanhar a implantação e a operação da expansão.
A Cedro opera em Mariana desde 2022.





