A AngloGold Ashanti pretende implantar duas novas pilhas de rejeitos na Planta do Queiroz, em Nova Lima, para garantir a continuidade da operação e avançar na disposição a seco dos materiais gerados pelo complexo. O projeto será analisado nesta sexta-feira (25) pela Câmara de Atividades Minerárias (CMI) do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) e inclui também a regularização ambiental de quatro intervenções realizadas em caráter emergencial.
A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) recomendou a concessão da licença. A decisão caberá aos integrantes da CMI.
De acordo com os estudos ambientais do empreendimento, o projeto foi estruturado para garantir a continuidade da operação do Complexo Minero-Metalúrgico do Queiroz e modernizar o sistema de disposição de resíduos. A proposta inclui a implantação da Pilha de Disposição de Rejeitos Desaguados H2 (PDR H2) e da Pilha de Disposição de Rejeitos Nova Lima, além de áreas de empréstimo e intervenções relacionadas à descaracterização de estruturas existentes.
A PDR H2 terá capacidade estimada em 883,4 mil metros cúbicos e vida útil projetada de aproximadamente oito anos. A estrutura foi concebida para receber rejeitos desaguados e compactados, com sistemas de impermeabilização, drenagem, coleta de efluentes, detecção de vazamentos e monitoramento geotécnico.
Já a PDR Nova Lima terá capacidade total estimada em 202,3 mil metros cúbicos. Segundo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), a estrutura deverá receber rejeitos calcinados e resíduos provenientes do processo de neutralização, com início de operação projetado para 2028.
Projeto estima 3,59 milhões de toneladas de resíduos até 2055
Para o período entre 2026 e 2055, o projeto considera a geração de aproximadamente 2,57 milhões de toneladas de rejeitos calcinados e 1,02 milhão de toneladas de resíduos de neutralização.
Apesar do aumento da estrutura destinada à disposição desses materiais, o empreendimento não prevê ampliação da capacidade produtiva da Planta do Queiroz.
A necessidade de reorganização do sistema de disposição ocorre em paralelo à retomada da Planta 2 do complexo. Em agosto, a AngloGold informou que investiu cerca de R$ 105 milhões na reativação da unidade, que estava parada desde 2022. Com a volta da Planta 2, o complexo passou a operar novamente com as duas unidades industriais e capacidade instalada de aproximadamente 280 mil toneladas de concentrado por ano.
A companhia afirma que a retomada permite processar internamente todo o concentrado de ouro produzido por suas minas no Brasil, reduzindo a necessidade de envio de parte desse material para processamento externo.
Projeto também regulariza obras emergenciais
Outro componente do processo submetido à CMI é a regularização ambiental de quatro intervenções emergenciais realizadas na Planta do Queiroz.
As medidas envolvem estruturas como a Barragem Cocuruto, a Barragem Cambimbe e o Aterro de Resíduos Industriais G. Os estudos ambientais registram entre as intervenções a adequação do sistema extravasor de Cocuruto, a derivação de fluxos naturais afluentes à estrutura, intervenções na Barragem Cambimbe e obras relacionadas ao Aterro G.
Segundo a AngloGold Ashanti, três das quatro intervenções já foram concluídas. A adequação do sistema extravasor de Cocuruto foi finalizada em 2023; as derivações dos fluxos naturais afluentes foram concluídas em 2024; e a adequação do vertedouro da Barragem Cambimbe também foi concluída em 2024.
No Aterro G, as obras ainda estão em andamento. A empresa informa que o fechamento da estrutura na região Leste já foi concluído, enquanto as adequações no lado Oeste continuam em execução.
Segundo a companhia, as intervenções tiveram como objetivo ampliar a segurança das estruturas e atender aos requisitos legais aplicáveis.
Segurança das estruturas
A questão da estabilidade das estruturas é um dos pontos relevantes do processo, especialmente diante da regularização de intervenções emergenciais.
A AngloGold informou que todas as suas barragens estão estáveis e possuem Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) emitida por auditoria externa. A empresa afirma ainda que nenhuma de suas estruturas se encontra em nível de emergência.
As auditorias cadastradas em agosto de 2026 apontam estabilidade para as estruturas Cambimbe, Rapaunha, Cocuruto e Calcinados.
A companhia também informou que, entre 2024 e 2026, investiu R$ 1,4 bilhão em ações relacionadas à gestão e à descaracterização de estruturas geotécnicas em suas unidades no Brasil.
Disposição a seco abre caminho para descaracterização
O projeto está inserido na estratégia da AngloGold de substituir estruturas convencionais de disposição de rejeitos por sistemas a seco. A empresa informa que atualmente todo o rejeito gerado em suas operações é filtrado e disposto a seco.
No caso do Queiroz, o EIA aponta que a PDR H2 deverá contribuir para a continuidade da operação e para o processo de descaracterização da Barragem Calcinados. A proposta também prevê intervenções associadas à descaracterização de outras estruturas existentes no complexo.
A empresa sustenta que a adoção do sistema de disposição a seco reduz a dependência de barragens convencionais e faz parte de uma estratégia de longo prazo para a gestão dos rejeitos.





