A escalada do custo do frete marítimo já começa a produzir efeitos concretos sobre a operação de grandes mineradoras em Minas Gerais. A CSN Mineração anunciou nesta terça-feira (29) a redução temporária das atividades de produção de minério de ferro de menor qualidade na Planta de Beneficiamento a Seco do Complexo de Pires, em Ouro Preto.

Segundo a companhia, a decisão foi tomada diante de um cenário de mercado mais apertado e pressionado pela alta dos custos de transporte. A medida atinge especificamente a produção de minério de menor qualidade, produto que tende a ter menor capacidade de absorver custos logísticos elevados.

A decisão também levou a CSN Mineração a rever suas projeções para 2026. A estimativa de volume de produção e compras de minério de terceiros, anteriormente entre 45 milhões e 47 milhões de toneladas, caiu para 39 milhões a 41 milhões de toneladas. Na prática, houve redução de 6 milhões de toneladas nos limites inferior e superior da projeção.

A companhia informou que a redução em Pires é temporária e poderá ser revertida caso as condições de mercado voltem a garantir margens mais favoráveis para esse tipo de minério.

Frete deixa de ser alerta e chega à produção

A decisão da CSN dá uma nova dimensão à pressão logística que vem afetando as mineradoras brasileiras.

O Minera Minas mostrou recentemente que o frete marítimo na rota Brasil-China havia alcançado US$ 42,54 por tonelada, enquanto o minério de ferro permanecia abaixo dos US$ 100 por tonelada. Naquele momento, o custo do transporte correspondia a cerca de 44% da cotação de referência da commodity, comparação que não equivale à margem efetiva das empresas, mas ajuda a dimensionar o peso assumido pela logística.

Na reportagem, o Minera Minas mostrou ainda que a pressão atingia de forma mais intensa produtores de maior custo e minérios de menor teor. Usiminas e Itaminas já haviam realizado ajustes em suas operações, enquanto especialistas alertavam que outras empresas poderiam adotar medidas semelhantes caso o cenário persistisse.

Agora, o anúncio da CSN Mineração transforma esse risco em uma nova decisão operacional em Minas.

A escolha de reduzir justamente a produção de minério de menor qualidade também reforça um dos efeitos da atual combinação de preços e logística. Produtos que já são negociados com desconto em relação aos minérios de maior teor possuem menos espaço para absorver uma elevação expressiva do custo de transporte.

CSN também eleva projeção de custos

Além de reduzir sua expectativa de volumes, a CSN Mineração revisou para cima sua projeção de custo caixa C1, indicador utilizado para medir o custo direto de produção do minério.

A estimativa anterior, entre US$ 22 e US$ 23,50 por tonelada, passou para uma faixa de US$ 25 a US$ 26 por tonelada em 2026. Segundo a companhia, a mudança considera tanto o impacto da redução temporária da produção quanto a expectativa de menores compras de minério de terceiros nos próximos meses.

As projeções são estimativas da companhia e podem ser novamente alteradas em razão de fatores de mercado fora de seu controle.

Minas no centro da pressão logística

O Complexo de Pires está localizado em Ouro Preto, no Quadrilátero Ferrífero, região que concentra parte relevante da produção mineral brasileira.

A CSN Mineração mantém seus principais ativos de minério de ferro em Minas Gerais. A companhia é uma das maiores exportadoras brasileiras do produto. O minério destinado à exportação é transportado pela MRS até o Terminal de Carvão do Porto de Itaguaí (Tecar), no Rio de Janeiro, de onde segue para o mercado internacional.