O avanço da disputa internacional por minerais está colocando novas variáveis na tomada de decisão das mineradoras brasileiras. Além de preço, qualidade das reservas e demanda, entram cada vez mais na equação segurança das cadeias de suprimentos, estabilidade regulatória, energia e riscos geopolíticos.

O tema abriu a Exposibram 2026, nesta segunda-feira (24), em Belo Horizonte, em debate que reuniu executivos de Vale, BHP, Alcoa e Lundin Mining.

Para Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale, a transição energética abre uma janela de oportunidade para o Brasil, mas possuir recursos minerais não é suficiente para capturá-la. “Potencial sem resultado não resolve”, afirmou.

A avaliação encontra eco entre outros representantes do setor. Gisele Salvador, CFO da Alcoa Brasil, defendeu que empresas precisam construir estratégias capazes de atravessar diferentes ciclos geopolíticos sem alterar o planejamento a cada mudança de cenário.

Na Lundin Mining, a preocupação também chega à cadeia de suprimentos. O CFO Jean Silva Cintra defendeu maior estabilidade para investimentos e a diversificação de fornecedores como forma de reduzir a exposição das operações a impactos geopolíticos sobre custos e logística.

Já Mariette Bylsma, presidente de joint ventures da BHP, destacou que a análise geopolítica deixou de ser excepcional e passou a integrar a gestão cotidiana das companhias, influenciando decisões sobre ativos, investimentos, fornecedores e parcerias.

A discussão ganha relevância em um momento em que minerais necessários à transição energética e às novas tecnologias assumem importância crescente nas estratégias industriais e de segurança de diferentes países.

Para o setor mineral brasileiro, o desafio apontado no painel é transformar a disponibilidade desses recursos em projetos efetivos. Entre as prioridades citadas estão estabilidade, planejamento de longo prazo, inovação, diversificação das cadeias de fornecimento e articulação entre empresas e poder público.