Minas Gerais pode ganhar uma nova etapa na cadeia de terras raras com a implantação de um centro de separação e processamento em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O projeto é desenvolvido pela mineradora australiana St George Mining em parceria com o Grupo Lima & Pergher e tem investimento estimado em R$ 2 bilhões.

O protocolo de intenções entre as empresas prevê que a futura unidade seja instalada no complexo industrial da START, divisão química e industrial do Grupo Lima & Pergher. O local possui área superior a 500 mil metros quadrados e infraestrutura industrial já existente.

A expectativa divulgada pelas empresas é que a operação possa começar até 2030. Antes disso, entretanto, o empreendimento ainda deverá passar por estudos de viabilidade técnica e econômica.

Esse ponto é importante porque o projeto ainda está em fase de avaliação. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, ainda não foram definidos o desenho final da planta, o investimento definitivo nem exatamente até qual etapa do processamento de terras raras a unidade poderá avançar.

De Araxá a Uberlândia

A iniciativa tem relação com o Projeto Araxá, desenvolvido pela St George Mining para nióbio e terras raras em Araxá. A proposta cria uma conexão entre a produção mineral e etapas posteriores da cadeia: enquanto Araxá concentra o projeto mineral, Uberlândia é estudada para receber atividades de processamento e transformação.

Essa divisão ajuda a explicar por que o projeto chama atenção para além do tamanho do investimento. O processamento é justamente uma das etapas em que o Brasil ainda busca ampliar sua participação na cadeia de minerais estratégicos.

O país possui grandes reservas de terras raras, mas ainda tem participação muito pequena no processamento mundial desses elementos. A discussão atual sobre minerais críticos tem colocado a agregação de valor dentro do Brasil entre as prioridades para o desenvolvimento dessa indústria.

Terras raras são utilizadas em produtos de alta tecnologia e têm aplicações em setores como mobilidade elétrica, geração de energia, eletrônicos e equipamentos que utilizam ímãs de alto desempenho.

Projeto ainda está em construção

Apesar da associação entre a futura unidade de Uberlândia e o Projeto Araxá, é importante diferenciar as etapas dos dois empreendimentos.

No início de setembro, a Prefeitura de Araxá informou que não participou das tratativas para o centro de processamento de Uberlândia e que não houve, até aquele momento, negociação com a administração municipal para início da exploração de terras raras em Araxá nas condições apresentadas em algumas publicações sobre o projeto.

O protocolo relacionado à unidade de Uberlândia conta com apoio institucional do Governo de Minas Gerais. A proposta é avaliar uma estrutura capaz de avançar do processamento de concentrados até etapas de separação e refino, dependendo dos resultados dos estudos em andamento.

A iniciativa ocorre justamente quando Minas Gerais tenta ampliar seu espaço na nova cadeia de minerais críticos. Tramita na Assembleia Legislativa um projeto que estabelece diretrizes estaduais para exploração, agregação de valor e governança de terras raras e minerais críticos e os reconhece como estratégicos para o desenvolvimento econômico e tecnológico do Estado.