A produção mineral brasileira pode passar dos atuais cerca de R$ 300 bilhões por ano para até R$ 535 bilhões em 2035, mas chegar a esse patamar exigiria mudanças em áreas que vão do licenciamento ambiental à infraestrutura e ao ambiente de negócios. A projeção faz parte de um estudo encomendado pela Vale à Accenture e apresentado nesta terça-feira (25), durante a Exposibram, em Belo Horizonte.

Batizado de “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, o documento reúne 15 iniciativas divididas em quatro agendas consideradas prioritárias para o desenvolvimento do setor nos próximos dez anos.

A Vale pretende entregar o estudo aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026, com propostas de políticas públicas para o setor mineral.

Durante a apresentação, o CEO da companhia, Gustavo Pimenta, defendeu que a mineração pode ampliar sua participação na economia brasileira caso o país consiga criar condições para novos investimentos.

“Se a gente conseguir avançar no crescimento e recuperar o nosso share nos próximos dez anos, dobraria o potencial de arrecadação da indústria”, afirmou.

De R$ 300 bilhões para R$ 535 bilhões

No cenário projetado pelo estudo, a produção mineral anual brasileira poderia avançar dos atuais R$ 300 bilhões para até R$ 535 bilhões em 2035.

A arrecadação fiscal associada ao setor também aumentaria. Segundo o levantamento, a mineração contribuiu com cerca de R$ 750 bilhões em arrecadação na última década. Para o período entre 2026 e 2035, a estimativa chega a R$ 1,3 trilhão.

O estudo projeta ainda que o impacto da cadeia mineral sobre o emprego, atualmente estimado em cerca de 3 milhões de postos diretos, indiretos e induzidos, poderia alcançar 5,3 milhões em 2035.

As projeções foram produzidas pela Accenture em trabalho contratado pela Vale e dependem da expansão da produção mineral considerada no cenário do estudo.

O que precisaria mudar?

O relatório concentra as propostas em quatro frentes.

A primeira reúne licenciamento e fundamentos da mineração, incluindo ampliação do conhecimento geológico, gestão dos títulos minerários e maior previsibilidade no processo de licenciamento.

Um dos gargalos apontados é justamente o baixo conhecimento do subsolo brasileiro. Segundo o levantamento, apenas 28% do território do país está mapeado geologicamente em escala considerada adequada para orientar decisões de investimento em pesquisa mineral.

A segunda agenda trata da integração da cadeia mineral, envolvendo infraestrutura, disponibilidade de energia, processamento dos minerais e domínio de tecnologias.

A terceira aborda o ambiente de negócios e a segurança institucional, com questões regulatórias, tributárias, financeiras e institucionais. A mineração é uma atividade intensiva em capital e projetos podem exigir anos entre pesquisa, licenciamento, implantação e início da produção.

Por fim, a agenda de valor compartilhado reúne propostas relacionadas aos impactos sociais e ambientais e à geração de benefícios nos territórios onde a mineração está presente.

Propostas entram na agenda eleitoral

O movimento da Vale também leva as demandas da mineração para o debate eleitoral de 2026.

A empresa informou que pretende entregar o documento aos candidatos à Presidência nos próximos dias.

Para Pimenta, o crescimento da mineração poderia aumentar não apenas a produção e a arrecadação, mas estimular tecnologias que extrapolam o próprio setor.

“O setor poderia chegar a 5 milhões de empregos em toda a cadeia ao longo dos próximos anos, incorporando novas tecnologias que vão ser usadas dentro da mineração, mas também fora dela”, afirmou.

A discussão acontece em um momento de maior disputa internacional por minerais necessários à transição energética e às novas tecnologias.

Segundo o estudo, minerais produzidos no Brasil e utilizados em veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas poderiam contribuir globalmente para evitar entre 1,6 e 2 gigatoneladas de CO₂ equivalente por ano até 2050.