A Cedro está avançando em três projetos para ampliar a produção e criar novas alternativas para o transporte do minério de ferro produzido em Minas Gerais. O plano combina uma correia transportadora em Mariana, uma nova ligação ferroviária na região da Serra Azul e um terminal portuário próprio em Itaguaí, no Rio de Janeiro.
Os projetos foram apresentados pelo vice-presidente da companhia, Fabiano Carvalho, durante a Exposibram 2026, em Belo Horizonte. No estande, a empresa também utiliza realidade virtual para permitir que visitantes conheçam sua operação mineral.
A estratégia acompanha os planos de crescimento da Cedro e busca atacar um dos principais gargalos da cadeia mineral mineira: levar volumes crescentes de minério das minas até os mercados consumidores.
De Mariana à ferrovia sem carretas
Um dos projetos está diretamente ligado à expansão da operação da Cedro em Mariana. A companhia trabalha para elevar a capacidade de produção de pellet feed para 5,5 milhões de toneladas por ano e, paralelamente, substituir parte do transporte rodoviário por um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD).
O sistema terá aproximadamente 20 quilômetros e fará o transporte do minério entre a operação e a interface ferroviária, reduzindo a necessidade de carretas nesse trecho. A Cedro prevê investir cerca de R$ 700 milhões no projeto.
Além da redução do tráfego de veículos pesados, a companhia associa o projeto à diminuição do consumo de diesel e das emissões relacionadas ao transporte rodoviário.
Segundo Fabiano, o projeto está em processo de licenciamento ambiental.
Ferrovia de Serra Azul quer atender outras mineradoras
Outra frente da estratégia é uma ligação ferroviária de aproximadamente 26 quilômetros na região da Serra Azul.
A proposta é conectar a produção mineral da região à malha ferroviária da MRS e criar uma alternativa logística que não ficará restrita ao minério produzido pela própria Cedro. A ferrovia poderá atender outras operações localizadas no corredor mineral. Informações recentes divulgadas pela companhia apontam previsão de obras a partir de 2029 e operação posteriormente.
Porto próprio no Rio de Janeiro
A terceira peça dessa estratégia está a centenas de quilômetros de Minas.
A Cedro venceu, em dezembro de 2024, o leilão da área ITG-02 do Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, onde pretende implantar o chamado Porto do Meio, localizado entre os terminais da Vale e da CSN.
O projeto passou por audiência pública para o licenciamento ambiental em janeiro deste ano. O terminal será conectado à malha ferroviária e foi projetado para movimentar inicialmente até 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
A Cedro pretende utilizar o terminal para escoar sua própria produção, mas o projeto também abre espaço para movimentar minério de outras empresas. A estratégia busca reduzir a dependência de terminais controlados por grandes mineradoras para acessar diretamente o mercado internacional.
O investimento previsto no Porto do Meio está na casa de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões, segundo informações recentes divulgadas sobre o empreendimento. A expectativa atualmente publicada é que o terminal entre em operação no início da próxima década.
Da mina ao porto
A companhia está investindo também nas etapas necessárias para transportar volumes maiores: retirar parte das carretas das rodovias próximas às operações, ampliar o acesso ferroviário no Quadrilátero Ferrífero e chegar ao mercado externo por um terminal portuário.
Para outras mineradoras de Minas, principalmente operações que não possuem estruturas logísticas verticalizadas, ferrovia e porto podem representar novas alternativas de escoamento caso os projetos avancem conforme planejado.




