A Cedro Mineração Mariana avançou mais uma etapa na estruturação de um projeto logístico que prevê reduzir a circulação de caminhões utilizados no transporte de minério em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. O Governo de Minas publicou o Decreto NE nº 100/2026, que declara de utilidade pública as áreas destinadas à implantação das estruturas previstas no empreendimento.
O principal componente do projeto é um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD), sistema que deverá permitir o transporte contínuo de minério entre diferentes estruturas da operação. A proposta é substituir parte do deslocamento atualmente realizado por transporte rodoviário.
Na prática, a implantação do sistema poderá reduzir o fluxo de veículos pesados nas estradas da região e, segundo a empresa, diminuir as emissões associadas ao consumo de combustíveis fósseis. O uso de correias também pode reduzir o desgaste das rodovias e os riscos relacionados à circulação intensa de caminhões.
Projeto ainda depende de outras etapas
A publicação do decreto não significa que o sistema já esteja em operação. A medida está relacionada à estruturação fundiária do projeto, dando suporte aos procedimentos necessários para implantação das estruturas nas áreas abrangidas.
Paralelamente, a Agência Nacional de Mineração (ANM) aprovou e publicou os laudos técnicos de servidão minerária referentes ao TCLD e às demais estruturas de apoio. De acordo com a Cedro, os dois movimentos, estadual e federal, representam marcos administrativos distintos, mas complementares, para o avanço do empreendimento.
O desenvolvimento do Projeto Mariana ainda seguirá as etapas administrativas, ambientais, minerárias, fundiárias e judiciais aplicáveis, segundo a empresa.
Menos caminhões, mas quanto?
A Cedro afirma que o projeto faz parte de uma estratégia de modernização da infraestrutura logística da mineração e busca ampliar a capacidade de movimentação de minério com menor dependência do transporte rodoviário.
A companhia informa ainda que mantém um plano de investimentos de aproximadamente R$ 5 bilhões até 2030, com objetivo de alcançar produção anual de 20 milhões de toneladas de minério de ferro, com foco em pellet feed.
"O TCLD desse projeto em Mariana será um dos mais extensos do Brasil, com aproximadamente 19km de extensão, substituindo o transporte rodoviário por carretas no deslocamento do minério até a interface logística ferroviária. Representando um investimento de cerca de R$ 700 milhões, a estrutura movimentará até 2.000 t/h, com velocidade de 5 m/s e correia de 1.200 mm . Com essa tecnologia, deixaremos de realizar cerca de 800 viagens de caminhão por dia nas estradas da região, eliminando a queima de diesel nesse trecho, além de reduzir a poeira, o desgaste das vias e o risco de acidentes".





