A Rio Tinto e a Nyangumarta Warrarn Aboriginal Corporation (NWAC) assinaram acordo para o desenvolvimento do Winu, projeto de cobre e ouro localizado em território tradicional Nyangumarta, no deserto Great Sandy, na Austrália Ocidental. O empreendimento fica a aproximadamente 300 quilômetros ao sul de Broome e é considerado pela Rio Tinto seu projeto greenfield de cobre em estágio mais avançado entre aqueles com perspectiva de desenvolvimento no curto prazo.
O acordo dá sequência ao entendimento de planejamento firmado em 2023 e estabelece como a comunidade Nyangumarta e a Rio Tinto trabalharão conjuntamente. O documento prevê que conhecimentos, prioridades e perspectivas da população local sejam incorporados ao planejamento e à implementação das atividades, incluindo medidas destinadas a evitar e minimizar potenciais impactos sobre o meio ambiente e o patrimônio cultural aborígene. A comunidade deu seu consentimento para a mina e a infraestrutura associada, enquanto o projeto ainda depende das aprovações regulatórias e outras necessárias e de uma decisão final de investimento.
A expectativa da Rio Tinto é avançar o Winu em direção à primeira produção de cobre até 2030. O projeto é uma joint venture com a Sumitomo Metal Mining: a Rio Tinto possui participação de 70% e será responsável pelo desenvolvimento e operação, enquanto a companhia japonesa detém os 30% restantes. A empresa também prevê que Winu abra oportunidades de treinamento, emprego e participação empresarial para a comunidade Nyangumarta.
MINERAIS CRÍTICOS SAEM DO PAPEL, MAS A DISPUTA REAL COMEÇA AGORA
Lula sanciona hoje, às 10h30, no Palácio do Planalto, a lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O ato encerra a tramitação do PL 2.780/2024, aprovado pelo Senado em 2 de setembro, e entrega ao país aquilo que o governo apresenta como o principal marco recente de organização de uma estratégia nacional para as cadeias de suprimento que sustentam as novas tecnologias. O Brasil chega a esse ponto com reservas e potencial geológico expressivos em lítio, terras raras, grafita, níquel e cobre – substâncias que, em menos de uma década, migraram do vocabulário técnico para o centro da agenda de segurança econômica.
O que se assina hoje, porém, é menos importante do que o que vem depois. A expectativa é de que a própria cerimônia já avance na regulamentação de dispositivos da nova lei, e o ponto sob maior vigilância é a definição da composição e do funcionamento do Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, o Cimce, colegiado que ocupará posição central na governança da política. Empresas e entidades representativas acompanham o tema de perto e defendem participação efetiva da iniciativa privada e critérios técnicos e objetivos para classificar minerais e projetos como estratégicos. Não é preciosismo: quem define a lista define quem acessa incentivo, quem se submete a controle e quem fica de fora dos dois.
GERDAU PREVÊ EXPANSÃO DA PRODUÇÃO EM MIGUEL BURNIER
A Gerdau prevê para o segundo semestre deste ano importantes entregas de sua carteira de investimentos, entre elas a expansão da produção de minério de ferro em Miguel Burnier, em Minas Gerais. No segundo trimestre de 2026, a companhia investiu R$ 1 bilhão, sendo 56% destinados a projetos de expansão e atualização tecnológica. Para o ano, o plano de investimentos da empresa está estimado em R$ 4,7 bilhões.
Segundo o CFO da Gerdau, Rafael Japur, a expansão da produção em Miguel Burnier e a entrada em operação do Centro de Reciclagem em Pindamonhangaba serão importantes alavancas para a recuperação dos resultados da operação brasileira, com foco em competitividade e visão de longo prazo. No segundo trimestre, a Gerdau registrou Ebitda ajustado de R$ 3,4 bilhões, lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão e receita líquida de R$ 17,9 bilhões.
FALTA DE REFORMA NA OMC PODE CUSTAR 5% DO PIB GLOBAL
COMÉRCIO EXTERIOR
Genebra – Sem uma reforma nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), a entidade perderá a capacidade de conter a fragmentação comercial já em curso, a um custo elevado: nesse cenário, o Produto Interno Bruto (PIB) global cairia cerca de 5% e as exportações tombariam quase 20% até 2050. Esse é o alerta do relatório World Trade Report 2026, principal publicação anual de pesquisa e análise econômica da organização, divulgado ontem.
Nos últimos anos, líderes da OMC vêm defendendo a modernização do seu arcabouço regulatório de três décadas, com o objetivo de evitar a obsolescência da instituição diante do avanço do protecionismo e da ascensão do comércio digital. Agora, a entidade calcula o custo da não-realização de reformas, destacando que a globalização enfrenta hoje a mais grave onda de desafios desde a Segunda Guerra Mundial, como a escalada das tarifas e o avanço de subsídios estatais.
Há quatro anos, 80% do comércio global obedecia ao princípio da nação mais favorecida (NMF), mecanismo pelo qual eventuais vantagens comerciais que um país confere a outro devem ser estendidas aos demais parceiros. Esse percentual se reduziu a 72% hoje. Se a OMC não se fortalecer, diz o relatório, o cenário atual tende a ser intensificado, com os governos voltando a elevar barreiras alfandegárias de forma descoordenada e a multiplicar exigências regulatórias, o que reduz o comércio e impacta a atividade.
Caso isso aconteça, enquanto no mundo todo os impactos negativos sobre o PIB e as exportações seriam de 5,1% e 18,6%, respectivamente, no caso dos países mais pobres o efeito sobre a atividade econômica seria três vezes maior, segundo os cálculos. Em um cenário ainda mais extremo, em que a OMC não existisse e houvesse apenas acordos bilaterais e regionais de livre comércio, o impacto no PIB global até 2050 seria de 6,9%, e as exportações cairiam 26,9%, segundo os pesquisadores. Por outro lado, em um mundo de cooperação comercial reforçada, o impacto positivo seria de 2,9% do PIB e de uma alta de 17,9% nas exportações mundiais até 2050.
“O cobre é o motor que está impulsionando o crescimento da BHP”, Brandon Craig, CEO da BHP






