O Brasil perdeu participação no mercado internacional de minério de ferro nas últimas duas décadas enquanto a Austrália ampliou significativamente sua presença. Para José Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da Cedro Participações, a adoção de novas tecnologias será determinante para a mineração brasileira recuperar competitividade.
Segundo dados apresentados pelo executivo durante o seminário Inovação Aplicada à Mineração, realizado nesta segunda-feira (21) em São Paulo, a participação brasileira caiu de 21% para 17%, enquanto a australiana avançou de 18% para 37%.
Os números também foram registrados pela Folha de S.Paulo na cobertura do evento, que reuniu representantes de mineradoras, governo, academia e entidades do setor para discutir produtividade, sustentabilidade e transformação tecnológica da indústria mineral.
“Hoje temos 17%. A Austrália, que tinha 18%, ficando atrás do Brasil, hoje tem 37%”, afirmou Martins.
Para o executivo, parte da resposta brasileira passa pela chamada Mineração 4.0, com maior utilização de automação, inteligência artificial, conectividade e sistemas integrados nas operações.
“Nós necessitamos das novas tecnologias. Portanto, a inovação é a forma como a gente pode resolver essa questão de competitividade da mineração brasileira”, disse.
Tecnologia entra na disputa por produtividade
A comparação com a Austrália ganha relevância diante da necessidade de elevar a produtividade das operações brasileiras e lidar com jazidas de teores mais baixos.
Durante o seminário, Martins associou parte do avanço australiano justamente à utilização de tecnologias capazes de tornar as minas mais produtivas. A avaliação também aparece na cobertura da Folha sobre o encontro.
Entre as tecnologias que já começam a transformar a operação mineral estão caminhões autônomos, inteligência artificial, robótica, internet das coisas, conectividade e sistemas de monitoramento em tempo real.
No caso dos equipamentos autônomos, a tecnologia permite operações contínuas e reduz a presença de trabalhadores em determinadas áreas de risco. Mas a mudança também altera o perfil da mão de obra necessária nas minas.
Automação aumenta demanda por qualificação
Martins chamou atenção para esse segundo efeito da transformação tecnológica: à medida que determinadas atividades manuais são automatizadas, aumenta a necessidade de profissionais preparados para controlar, interpretar e operar sistemas mais complexos.
“O homem foi feito para fazer força ou para pensar?”, questionou o executivo durante o evento.
Segundo ele, “o ser humano como força motriz vai cada vez ser menos necessário” nas áreas de extração.
A avaliação é que o avanço tecnológico precisará ser acompanhado de investimento em educação e qualificação profissional. A escassez de mão de obra preparada para a transição tecnológica também apareceu como um dos desafios discutidos no seminário.
Para Martins, a adaptação não deve ficar restrita às mineradoras. “Acho que nós estamos olhando muito do âmbito do nosso negócio, da nossa indústria, da nossa atividade. E a gente espera que a sociedade como um todo se prepare para isso”, afirmou.
Cedro prepara expansão em Minas
A defesa da inovação acontece em um momento de expansão da própria Cedro.
A companhia tem atualmente produção próxima de 7 milhões de toneladas de minério de ferro por ano nos complexos de Nova Lima e Mariana e pretende alcançar 20 milhões de toneladas anuais até 2030, com foco em pellet feed.
O grupo também prepara investimentos em mineração e infraestrutura logística. Entre os projetos estão a ampliação da operação em Mariana, uma ferrovia de curta distância na região de Serra Azul e um terminal portuário em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A própria companhia estima que os investimentos em mineração e logística deverão superar R$ 5 bilhões até o fim da década.





