A inteligência artificial começa a ganhar espaço também nas empresas que prestam serviços de engenharia para a mineração. A ERG Engenharia criou um laboratório interno para desenvolver aplicações da tecnologia e já utiliza ferramentas de IA em processos administrativos, enquanto testa possibilidades de uso em atividades técnicas.

A iniciativa, chamada SimIA, foi apresentada pela empresa durante a Exposibram 2026, em Belo Horizonte. Em entrevista ao Minera Minas, o diretor executivo da ERG, Guilherme Moraes, explicou que o projeto funciona de forma colaborativa: funcionários podem identificar tarefas que poderiam ser otimizadas e encaminhar as ideias para avaliação do laboratório.

“Cada colaborador pode contribuir no seu processo”, explica Guilherme. A proposta é fazer com que profissionais de diferentes áreas identifiquem atividades repetitivas ou oportunidades de ganho de eficiência, tanto no campo quanto no escritório.

Um QR Code disponível nas mesas de trabalho direciona os funcionários ao ambiente do laboratório. A partir dali, uma atividade como análise de editais ou propostas pode, por exemplo, ser simulada com ferramentas de inteligência artificial para avaliar possibilidades de automação.

Periodicamente, as sugestões são consolidadas e algumas avançam para desenvolvimento interno.

IA já chegou às rotinas administrativas

Segundo Guilherme, algumas aplicações já estão em funcionamento nas áreas administrativas da ERG. Entre elas está a triagem digital de informações e o cruzamento com o banco interno de atestados técnicos da companhia.

O objetivo, segundo o executivo, não é reduzir o quadro de funcionários, mas aumentar a produtividade das equipes.

“A proposta não é essa. A proposta é otimizar, fazer melhor com o que a gente tem em mãos”, afirmou.

A adoção da IA em atividades diretamente relacionadas à engenharia, no entanto, avança de maneira mais cautelosa.

A ERG estuda aplicações técnicas, inclusive possibilidades relacionadas a medições de volume, mas essas soluções ainda estão em fase de testes e validação. O diretor explica que a complexidade dos serviços prestados exige processos de certificação e verificação antes que novas tecnologias sejam incorporadas aos produtos oferecidos aos clientes.

“Algumas fases de testes a gente está levando para os produtos, mas ainda em validação”, disse.

Por enquanto, portanto, o SimIA é uma ferramenta predominantemente interna. A empresa aproveitou a Exposibram para apresentar a iniciativa e ampliar a discussão sobre possíveis aplicações junto às mineradoras.

Mineração representa 80% dos clientes

A ERG completa 40 anos em 2026 e tem na mineração seu principal mercado. Segundo Guilherme, aproximadamente 80% da carteira de clientes da companhia está ligada ao setor mineral.

Entre as empresas atendidas, o executivo cita Vale, Samarco, Usiminas, CSN, AngloGold Ashanti e ArcelorMittal.

A atuação da ERG é dividida principalmente entre geotecnologias, engenharia e meio ambiente. Os serviços acompanham diferentes etapas dos projetos, desde levantamentos de campo e licenciamento até supervisão de obras, operação ambiental, recuperação de áreas degradadas e resgate de fauna e flora.

Segundo Moraes, cerca de 20% do portfólio está concentrado em geotecnologias, enquanto os outros 80% se dividem entre engenharia e meio ambiente.

A entrada da inteligência artificial nesse conjunto de atividades ainda acontece de forma gradual. Na ERG, a estratégia inicial tem sido começar por processos internos em que a tecnologia pode reduzir tarefas operacionais e liberar tempo das equipes, enquanto aplicações que interferem diretamente nas entregas técnicas passam por uma etapa mais longa de validação.