A Gerdau registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 39,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço do resultado financeiro, porém, ocorreu em um cenário de retração das vendas de aço, que somaram 2,9 milhões de toneladas no período.

Os dados foram divulgados pela companhia na segunda-feira (26). Entre julho e setembro, o Ebitda ajustado - indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização - alcançou R$ 3,8 bilhões, enquanto a receita líquida chegou a R$ 18,7 bilhões.

A margem Ebitda ajustada atingiu 20,2%, cinco pontos percentuais acima da registrada no terceiro trimestre de 2025.

América do Norte sustenta crescimento do lucro

Embora tenham recuado em relação ao ano anterior, as vendas físicas de aço permaneceram praticamente estáveis na comparação com o segundo trimestre de 2026, quando totalizaram 2,91 milhões de toneladas.

Em comunicado, a empresa destacou a contribuição das operações da América do Norte, responsáveis por mais de 76% do Ebitda consolidado do grupo. Na região, o indicador alcançou aproximadamente R$ 2,9 bilhões, crescimento de 60% na comparação anual. A margem Ebitda chegou a 27,7%, o maior patamar dos últimos quatro anos.

Segundo a companhia, a evolução dos preços de venda na América do Norte mais do que compensou o aumento dos custos operacionais.

No Brasil, o cenário foi diferente. O Ebitda ajustado somou R$ 741 milhões, queda de 2,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A companhia afirma que segue ajustando seus ativos para melhorar a rentabilidade e a produtividade, em meio à pressão provocada pela entrada de aço importado. Segundo o presidente-executivo da Gerdau, Gustavo Werneck, a companhia continua trabalhando na readequação das operações brasileiras.

A diferença entre o avanço do lucro e a redução das vendas indica a importância de avaliar os resultados por região, além de fatores como preços realizados, custos e composição dos produtos comercializados. A empresa, entretanto, não detalhou no comunicado os efeitos individuais desses fatores sobre o resultado consolidado.

Investimentos chegam a R$ 955 milhões no trimestre

A Gerdau investiu R$ 955 milhões no terceiro trimestre de 2026. Desse total, 45% foram destinados à manutenção das operações e 55% a projetos de expansão e atualização tecnológica.

Para todo o ano, o plano de investimentos da companhia está estimado em R$ 4,7 bilhões.

No acumulado de janeiro a setembro, os investimentos chegaram a aproximadamente R$ 3,1 bilhões, equivalentes a 66% do orçamento anual.

De acordo com o diretor financeiro da empresa, Rafael Japur, a estratégia de alocação de capital prioriza projetos voltados à competitividade e à visão de longo prazo.

Projeto de mineração em Ouro Preto entra na fase final de testes

Em Minas Gerais, um dos destaques operacionais do balanço foi o avanço da plataforma de mineração de Miguel Burnier, localizada no município de Ouro Preto.

De acordo com a Gerdau, o empreendimento chegou à fase final de testes integrados no terceiro trimestre de 2026. A previsão de início da operação permanece para o quarto trimestre deste ano.

O projeto integra os investimentos da companhia na cadeia do minério de ferro, matéria-prima utilizada em suas atividades siderúrgicas.

A Gerdau ainda não confirmou a entrada em operação da nova plataforma. O cumprimento do cronograma dependerá da conclusão dos testes e das demais etapas necessárias ao início das atividades.

A atualização sobre Miguel Burnier é relevante para Minas Gerais por envolver a ampliação da infraestrutura mineral da companhia em uma região tradicionalmente ligada à produção de minério de ferro.

Companhia anuncia distribuição de dividendos

A Gerdau S.A. e a Metalúrgica Gerdau S.A. também anunciaram pagamentos de dividendos para dezembro.

A Gerdau S.A. pagará R$ 0,34 por ação, totalizando R$ 667 milhões, em 15 de dezembro. Já a Metalúrgica Gerdau distribuirá R$ 0,16 por ação, em um montante de R$ 212 milhões, no dia 16 de dezembro. Em ambos os casos, terão direito ao recebimento os acionistas que estiverem posicionados em 10 de novembro de 2026.